Eu vi Eu vi o brilho da TV

a lua no filme, semelhante àquela no filme Viagem à Lua de 1902

26/02/25, escrito em 20/12/25

Introdução

Esse é um filme recente que eu fiquei sabendo pelo twitter (pois é, não me orgulho disso). Logo depois me foram recomendados alguns vídeos de análises sobre o terror dele que incluíam no título "ser queer". Eu já tinha me interessado mas fiquei mais curioso ainda sobre isso daí, então lá vamos nós...


Resumo sem spoilers da review

Curto e diretamente, eu achei um bom filme. A ideia dele foi muito incrível pra mim, ele traz uma experiência que certamente é pessoal da diretora Jane Schoenbrun pela forma rica como é apresentada (Ela também não esconde isso hehe). Como filme de terror eu achei ótimo, uma cena em específico me pegou de jeito, quando os plots começam a ser realmente aprofundados. Acho que vale super a pena se você estiver disposto à passar por uns bons momentos de monotonia num filme bem maluco que vai precisar de sua visão pra compreender os conceitos imaginativos, que escondem íntimas e duras realidades.

Isso foi um trecho bem longo pra dizer - Assista, nem é longo, talvez você goste e talvez atê se identifique.


Discussão, eu acho

ai caramba eu escrevi demais nisso daqui, me deixa meio envergonhado

O filme é uma alegoria sobre transição. Ele apresenta a ideia de enterrar uma parte falsa de você para que a outra, essa real, possa viver, no sentido mais literal possível, no caso, saindo do mundo sombrio criado pelo Senhor da Melancolía.
Enquanto não fizer isso, o seu eu verdadeiro estará morrendo, cada vez mais próximo de sufocar...
 
Você vive uma mentira, uma vida falsa como outra pessoa, memórias falsas que só existem para te prender àquilo que você não é. E nessa paródia da vida, você sufoca sua verdadeira identidade, sem sequer notar, em meio às suas próprias mentiras. Diz que é uma bobagem, que é só fantasia, que não pode ser real...no filme "Como os demõnios do dreno, não é real se você não pensar sobre"...

Na realidade falsa, o tempo passa rápido. Anos passam como segundos e os personagens fingem que é normal, mas sabe que não pode ser, isso não é viver. Os personagens precisam de coragem, coragem para afundar as suas vidas. Confiar em si mesmo ao dizer que a verdadeira loucura é continuar com a tal mentira, pois aquilo acabará os matando em algum momento. É sobrevivência. No final, tudo será como acordar de um pesadelo, e àquelas memórias que pareciam tão reais irão apagar-se em instantes, bem diante dos seus olhos, como desligar a TV em um programa ruim

Caramba, eu achei toda essa ideia genial. Todo o conceito, cada frase, cada cena, no final foi tudo bem pensado para representar a experiência de tal forma que você compreende os personagens. O seu horror. Claramente é uma experiência íntima da diretora.
Aquele diálogo do Owen com a Maddie sobre o medo de olhar o seu interior, e como no final ele faz justamente isso, eu achei muito bonito. Essas pressões externas que te deixam com medo de expressar sua própria identidade, de quer parar pra pensar no que você realmente é por medo de descobrir algo que o condene, que talvez te torne um louco dentro da sua própria crença...acho que quase qualquer um pode relatar, pelo menos um pouco, com isso...

É extremamente real, mas apresentado da forma mais metafórica e absurda possível. Talvez por essa "falta de clareza" que o filme tenha recebido certas críticas negativas, muita gente pode passar por esse filme sem sequer entender a mensagem que ele apresenta e simplesmente ir tacar pedra, dá pra visualizar essa situação facilmente (sem contar das pessoas que entenderão a mensagem e vão tacar pedra justamente por isso...), mas eu genuinamente gostei disso, gosto desses filmes se fazendo bizarros para ocultar algo realmente profundo por trás de si, essa ambiguidade, liberdade da interpretação...

Eu sou um cara cis, ver um pouco da "experiência transgênero", ou uma representação dela no caso, foi interessante. Eu vejo pessoas trans dialogando sobre essa ser uma "ideia"(por falta de um termo melhor, me desculpem) que nem mesmo eles entendem por completo. Decidir abraçar essa coceira no seu cérebro certamente é um processo que exige muita coragem e "disposição", se é que isso é um uso apropriado da palavra...Eu não estou na melhor posição para dialogar sobre isso, mas acho que qualquer pessoa LGBT+ vai se identificar com essa tomada e riscos.

OBS: Não deveria ser preciso colocar isso aqui mas é óbvio que a recomendação do filme se aplica independente de qual caixinha social você tá inserido. Eu tô só prosando baseado no meu próprio lugar de fala, como qualquer um faz.

Na minha experiência, a parte inicial do filme foi meio monótona, talvez o espectador tenha que fazer uma "forcinha" pra seguir, além da parte ali mais pelo meio que tem um momento de bastante confusão pelo baque de questionamentos sobre a realidade do filme (esses que logo são explicados no que é, pra mim, a melhor cena/parte do filme). Tambêm foi meio incômodo com alguns diálogos dos personagens: provavelmente ´ intencional, mas os grandes espaços entre as falas me deixavam meio agoniado(não no sentido de terror), mas eu não me importo tanto assim com isso, é até bobagem hehe.
Enfim, passada dessas partes mais "chatinhas", tem um filme com ideias bem interessantes, que traz um terror e uma perspectiva profunda e íntima sobre gênero e sexualidade, parece uma combinação divertidade, né não?

Vou dar um 6.8/10 (seis ponto oito, percebi que a fonte não ajuda), muito interessante, certamente. Toda a alegoria foi muito bem pensada, mandou bem, Jane Schoenbrun, vou ficar de olho se souber de algum filme novo seu ;)

DESTAQUES

a trilha sonora "Starburned and Unkissed", da Caroline Polacheck